Um reino preservado
Goryeo, os generais Choe e os cãs mongóis, do golpe de 1170 às placas de madeira de Haeinsa
Assistir ao filmeNuma montanha do sul da Coreia, em longos salões de madeira construídos para deixar o ar circular, estão cerca de oitenta mil placas de impressão entalhadas com as escrituras budistas. Foram gravadas no meio de uma guerra, como uma oração para que os exércitos mongóis voltassem atrás. O filme desta semana as usa como moldura para uma história mais difícil: como o reino de Goryeo atravessou um século de generais e cãs com a sua dinastia ainda de pé.
Reis sem poder
Os problemas começaram bem antes dos mongóis. Em 1170, oficiais do exército, havia muito tratados como inferiores aos funcionários civis, voltaram-se contra eles durante um passeio real, mataram muitos (mais de cinquenta, segundo a contagem da história oficial da corte) e mandaram o rei para o exílio. Seguiu-se uma sucessão de homens fortes até 1196, quando Choe Chung-heon tomou o poder. Sua família governou por sessenta e dois anos, ao longo de quatro gerações.
Os Choe nunca usaram a coroa. Punham e tiravam reis, mantinham uma guarda particular e governavam o Estado a partir de escritórios em suas próprias casas, onde se preparavam as listas de nomeações para o rei aprovar. Quando as exigências mongóis cresceram, em 1232, Choe U transferiu a corte para a ilha de Ganghwa, perto da costa. Os mongóis eram cavaleiros com pouca experiência no mar, e a corte ficou ali por trinta e oito anos, enquanto se mandava o continente abrigar-se em fortalezas de montanha e em ilhas.
Uma guerra no continente
De 1231 a 1259 os mongóis voltaram muitas e muitas vezes; os historiadores contam as campanhas de maneiras diferentes. Nunca tomaram a ilha, mas devastaram o país em volta. Em 1232, num pequeno forte de terra chamado Cheoin, um comandante mongol foi morto por uma flecha; a história da corte atribui o feito a um monge chamado Kim Yun-hu, que defendia o lugar com outros monges e com aldeões locais de baixa condição. Em 1238 o grande pagode de madeira de Hwangnyongsa queimou. Para a campanha de 1254 e 1255, a história da corte conta mais de duzentas mil pessoas levadas como cativas, e a fome veio em seguida.
Foi nesses anos que a corte de Ganghwa começou a gravar de novo as escrituras, para substituir um primeiro conjunto perdido num incêndio. Os Choe ajudaram a pagar. Em 1237 o poeta e funcionário Yi Gyu-bo escreveu a oração para a obra, lembrando que uma gravação anterior fora prometida contra os khitan, e os khitan haviam ido embora.
Em 1258 os Choe tinham perdido os seus próprios homens. Um antigo servidor, Kim Jun, uniu-se a letrados-funcionários e matou o último deles. No ano seguinte, Goryeo fez a paz.
O genro do cã
O que veio depois foi moldado por uma escolha feliz. O herdeiro, Wang Jeon, estava a caminho da corte mongol em 1259 quando soube que o Grande Cã Möngke havia morrido. Foi então ao irmão de Möngke, Kublai, e apoiou a sua pretensão. Diz-se que Kublai ficou encantado e prometeu a Goryeo que poderia manter os seus próprios costumes. Wang Jeon voltou para casa e reinou como o rei Wonjong.
A paz ainda tinha um preço: reféns, soldados, grãos e um supervisor mongol residente estão entre os deveres que os estudiosos descrevem. Alguns generais resistiram. Wonjong foi deposto em 1269 e restaurado sob pressão mongol. Quando a corte finalmente deixou a ilha em 1270, a elite Sambyeolcho recusou-se a se dissolver e resistiu em Jindo e depois em Jeju até abril de 1273, combatida por homens de Goryeo tanto quanto por mongóis.
Em 1274 o príncipe herdeiro casou-se com a filha mais nova de Kublai e voltou nesse mesmo ano como o rei Chungnyeol. Ele já havia aparecido uma vez com roupas e penteado mongóis; a história da corte diz que as pessoas suspiraram e algumas choraram. Sua esposa coreana foi mandada para um palácio separado. Os títulos reais da corte foram rebaixados um degrau. Goryeo teve de construir e tripular as frotas enviadas contra o Japão em 1274 e 1281 e, em 1280, quando os Yuan criaram em Goryeo um novo órgão para dirigir a campanha, Chungnyeol pediu para ser seu ministro-chefe e o cã concordou. Um historiador coreano vê três papéis num só homem: rei, ministro do cã e genro imperial.
O que durou
O custo foi real. Ouro, ginseng, falcões e tecidos foram para o norte, e as pessoas também: os registros contam cerca de mil e quinhentas mulheres ao longo do período mongol, com uma estimativa perto de duas mil. Os historiadores hoje questionam como elas eram escolhidas e o que foi feito delas, e prefiro deixar isso em aberto a adivinhar. Modas e nomes mongóis chegaram à corte. Mesmo assim, Goryeo manteve o seu rei, a sua língua e o seu budismo. O monge Iryeon, nascido em 1206, viveu o bastante para reunir num livro, nos seus últimos anos, as antigas histórias dos primeiros reinos da Coreia.
A dinastia durou até 1392. Em 1398 as placas foram levadas da ilha para Haeinsa, onde continuam em suas prateleiras.
Veja o filme para conhecer os salões e a ilha e use a lista abaixo para conferir qualquer linha desta carta.
Fontes
- Wikipédia, “Tripitaka Koreana” (cerca de oitenta mil placas; a segunda gravação, 1237 a 1248; a mudança para Haeinsa em 1398)
- Wikipédia, “Haeinsa” (os salões de armazenamento e suas janelas)
- Wikipédia, “Goryeo military regime” (o golpe de 1170; os homens fortes até 1196; os últimos governantes militares)
- Wikipédia, “Uijong of Goryeo” (o rei exilado em 1170)
- Wikipédia, “Choe Chung-heon” (1196; dois reis depostos; a guarda particular)
- Wikipédia, “Ch’oe U” (os escritórios em sua casa; a mudança para Ganghwa; o financiamento da gravação; Choe Hang)
- Wikipédia, “Mongol invasions of Korea” (1231 a 1259; Ganghwa; os cativos de 1254 a 1255)
- Wikipédia, “Battle of Cheoin” (o comandante mongol morto em 1232; o monge Kim Yun-hu)
- Wikipédia, “Hwangnyongsa” (o pagode queimado em 1238)
- Kim Sung-Soo, JKSLIS 45(2) (2011), sobre a segunda gravação e a oração de Yi Gyu-bo de 1237
- Encyclopedia of Korean Culture, sobre o golpe de 1258
- Wikipédia, “Kim Jun (Goryeo)” (1258 e 1268)
- Wikipédia, “Wonjong of Goryeo” (a aproximação com Kublai; deposto e restaurado em 1269)
- Wikipédia, “Goryeo under Mongol rule” (a paz de 1259; costumes preservados; tributo; nomes mongóis)
- Resumo do KCI sobre os seis deveres exigidos de Goryeo
- Wikipédia, “Sambyeolcho Rebellion” (Jindo, 1271; Jeju, até abril de 1273)
- Wikipédia, “Hong Ta-gu” (Hong Dagu; a briga com Kim Bang-gyeong; a frota de 1281)
- Wikipédia, “Princess Jeguk” (o casamento de 1274)
- Encyclopedia of Korean Culture, “Chungnyeol” (trajes mongóis em 1272; a Secretaria da Expedição ao Leste; o escritório dos falcões)
- Encyclopedia of Korean Culture, “Princess Jeonghwa” (o palácio separado; a acusação de 1276)
- Wikipédia coreana, “Chungnyeol” (os títulos da corte rebaixados em 1276)
- Lee Myungmi, Review of Korean Studies 27(2) (2024) (os três papéis do rei; mulheres enviadas como tributo)
- Wikipédia, “Il-yeon” (Iryeon, nascido em 1206, e o Samguk yusa)
Esta carta foi redigida com auxílio de IA a partir do roteiro pesquisado do filme e de suas notas de fontes. Enviar uma correção